Festival de Cannes

Esta proximidade, revelou-me outra faceta de todo este glamour, fiquei a perceber que também é um nicho de milionários à procura de ‘pedegree’.
Engraçado, como milionários, cujo valor patrimonial tem algarismos a perder de vista, têm necessidade de serem reconhecidos como tal pela sociedade….
Se não o forem sentem-se um nada. ‘Ser, sem parecer’ é, para eles, quase humilhante.
Há uma necessidade, quase doentia, de afirmação que só confirma a teoria do Sartre, “o olhar dos outros torna-se no nosso Ser”.
Penso ter visto mais lantejoulas, Lamborghinis, Bentleys, Rolls Royces, Ferraris, Maseratis, Cadillacs, Limusinas etc.. numa só avenida do que existirão em todo o Portugal.
Não nego ter ficado impressionada, mas ao mesmo tempo desiludida. Percebi que há ‘ricos loiros’ e ‘Ricos’. Cannes tem, nesta altura, muito ‘rico loiro’.
Deixando a fofoquice e passando ao próprio festival, penso que o prémio de melhor actor foi atribuído a um magrebino (embora eu lhe ache imensa piada) para acalmar ânimos em França. A Palma de Ouro, foi para “Le vent se lève “ de Ken Loach, e
o “Adiante Juventude” do Pedro Costa ficou a ‘ver navios’. O filme foi considerado pesado, difícil de ver,… “penible”, foi o termo.
E a propósito de Pedro Costa…Não gostei de ouvi-lo dizer que fez este filme, não para ganhar um prémio, nem para partilhar tempo com a equipa, mas simplesmente para fazer algo…..muito profunda esta!
Gostava que os nossos realizadores percebessem que a arte tem 3 vertentes indissociáveis: O autor, a obra, o público….Porque teimam eles em ignorar o público?