Férias
Existem dois meses para riscar do calendário, Dezembro e Agosto.
Nesses meses, ou seguimos a corrente ou nos sentimos fora do baralho.
Vou-me então juntar a esta 'feliz' maioria e esperar que passe a onda, …
’Tou que nem posso de contente!

Há cerca de dois anos, vi nascer uma nova construção, mesmo em cima das rochas da praia e o meu primeiro pensamento foi de que algum pato bravo tinha conseguido subornar a câmara.
Engano meu, afinal aquela construção era camarária, voltei a pensar e achei que seria algum edifício público cultural ou qualquer coisa do género…mas quando li o nome afixado no placard, não consegui conter uma gargalhada : Centro de interpretação ambiental da ponta do sal!
Interpretação??? Naquele local?... Só se fosse para ficar na espreguiçadeira, de binóculos, observando a deslocações das gaivotas pois,… é que as gaivotas podem deslocar-se num ângulo de 360º e isso é muito importante ..
Afinal não estaria dinheiro em jogo mas sim sentimentos, o afecto do presidente da câmara pelo afilhado que ocupasse aquele cargo era com certeza inestimável….
Hoje funciona como Café/Restaurante com esplanada em 70% da área, outra sala tem uns cartazes e uma salita de 3x3m tem uma secretária e um computador, deduzo que seja essa salita que dá o nome ao edifício.
Afinal foram mortos 3 coelhos de uma só cajadada, calaram-se os ambientalistas, fez-se o ‘jeitinho’ ao afilhado e ganhou-se dinheiro com a concessão da esplanada.
Para ser franca, acho que a zona até ficou agradável e bem jeito me dá aquela linda esplanada, com algum design (fruto de dinheiros públicos), sossegada e vista desafogada, mas por que raio não chamam aos bois pelos nomes??
Um dia destes, andei por terras de xisto. De pinhal, pouco ou nada resta.. : (
Ainda não tinha tido tempo de lamentar o desaparecimento das copas centenárias, que nos costumavam acompanhar ao longo da viagem, que já aparecia, no horizonte, um monte em chamas.
Fiquei triste, mas logo de seguida, apareceram mais 2 focos de incêndio de menores dimensões, já em fase de rescaldo e combatidos por aparatosos camiões cisterna dos bombeiros, nessa altura a tristeza passou a revolta.
Raramente aparece um foco de incêndio isolado, concluo que se trata de ‘fogos postos’ e não resisto à tentação de acusar a comunicação social de ser responsável por este fenómenos, transformou o assunto num espectáculo cheio de adrenalina, que só serve de incentivo aos incendiários.
Relembro a minha infância, com verões tórridos e alguns incêndios, mas não me lembro de ver terra queimada a perder de vista….nesse tempo não havia comunicação social.
Acabei por optar por um pequeno atalho rural para reviver a sensação de me sentir ‘mergulhada’ no pinhal, onde só se vêem pinheiros com copa recortada pelo céu…
Afinal ainda existem pequenos oásis na nossa floresta.